Eu estava de visita ao veleiro. A hora de fecho de visita já
tinha terminado, embora teimosamente recusasse a abandonar aquele mar de leite
em que o navio imóvel ao balanço das ondas, parecia adormecido. Só dei conta que
estava alguém ao meu lado ao ser interrompido nas minhas divagações.
- Estão pregando aos peixinhos…? Disse-me do alto dos seus
quase dois metros de estatura. Reconheci que o comandante estava inspirado e,
rematei de imediato.
- Só Santo António tinha esse dom… - respondi! Mas por vezes
os peixes ouvem-nos e compreendem-nos melhor do que entre os humanos.
Após uma ligeira troca de palavras, a sua curiosidade
adensava-se e não resisti ao convite para descer ao salão. Lá dentro, sentada
num cadeirão estava a sua mulher que me foi apresentada. Continuava imóvel e só
o som da aparelhagem me devolveu à realidade.
Ouvia Carmina Burana, com o volume estremecendo o cavername
da nave. Só quando o CD chegou ao fim e após os aplausos do público que parecia
mesmo ali ao lado num qualquer camarote do Scala, me dirigiu a palavra. Então
gosta de Carmina Burana? Confesso que ia dizer-lhe que preferia Nabucco e o
coro dos escravos, de Verdi. Mas contive-me! O comandante esse andava radiante
e como que hipnotizado, lançava no ar de novo o recomeço do disco tentando
acompanhar as vozes que saiam das colunas. Fiquei sem me mexer, sentado,
ouvindo Carmina Burana até ao fim. Sem pestanejar, sem bocejar, sem conseguir
pregar aos peixinhos.
O pintor francês ERNEST LOUIS LESSIEUX (1848-1925) pintou de tudo em doses verdadeiramente industriais. A sua fama e o seu estilo Art Nouveau deram-lhe fama e beleza nos seus trabalhos. Destaco os navios e temas maritimos editados em imensos postais de algumas companhias de navegação francesas, o seu fascínio pelo Oriente e pelas Antilhas.
Batizado este mês em Hamburgo, o meganavio porta-contentores MSC Zoe vai chegar a Sines esta terça-feira, sendo a primeira vez que este navio escala o porto alentejano, que é das poucas infraestruturas portuárias europeias que podem operar navios desta dimensão em qualquer altura do ano, sem limitações nas condições de acesso ao porto ou por insuficiente profundidade das águas.
Trata-se do maior porta-contentores do mundo, da mesma classe dos navios MSC Oscar e MSC Oliver, com capacidade para transportar 19.220 TEU (um TEU é a unidade padrão de comprimento dos contentores, correspondente a um contentor com 20 pés de comprimento).
O MSC Zoe tem 395,4 metros de comprimento e 59 metros de boca, e é o terceiro navio dos seis que integrarão a "Classe Oscar" da companhia MSC.
Do porto de Hamburgo, o MSC Zoe seguiu para Antuérpia, na Bélgica, e passa a assegurar o transporte entre o norte da Europa e a Ásia.
A MSC tem a tradição de batizar os seus navios porta-contentores com nomes femininos de familiares dos colaboradores da empresa, tendo havido apenas cinco exceções a esta prática, que foram os casos dos navios MSC Aniello, MSC Don Giovanni, MSC Diego, MSC Oscar e o MSC Oliver.
Estes novos navios gigantescos, da "Classe Oscar", têm vindo a ser batizados com os nomes dos netos do fundador, Gianluigi Aponte (Zoe é uma das suas netas).