sábado, 15 de dezembro de 2012

O PRINCÍPIO DO FIM

Desembarque da tripulação do paquete Funchal começa hoje e termina segunda-feira


.A tripulação do paquete Funchal, que aguarda obras há mais de dois anos no Cais da Matinha, em Lisboa, e que está sem gasóleo nem eletricidade desde outubro, começou hoje a desembarcar, disse o comandante à agência Lusa.



"Hoje desembarcou um tripulante romeno, que vai a caminho do seu país num autocarro, pois não tinha dinheiro para o bilhete de avião. Foi ele quem pagou a viagem, que dura dois dias até próximo de Budapeste", explicou António Morais, ainda a bordo do cruzeiro.



O comandante e os restantes três tripulantes, todos portugueses, vão desembarcar na segunda-feira, entre as 16:00 e as 17:00, momento em que a segurança e a vigilância passam a ser efetuadas pela Administração do Porto do Lisboa, através de uma empresa de segurança privada.



"Decidimos desembarcar face ao abandono e à falta de resposta dos armadores, dos proprietários e de outros interessados no navio. Fazemo-lo com o conhecimento destas entidades e de todas as autoridades marítimas portuguesas", esclarece o comandante.



As condições do paquete Funchal agravaram-se a partir de meados de outubro, quando o navio ficou sem gasóleo e sem eletricidade e assistiu-se, segundo o António Morais, à rápida degradação das condições humanas, de segurança e de higiene a bordo do navio.



O paquete Funchal pertence à Classic International Cruises (CIC), que tem mais quatro navios cruzeiro arrestados por dívidas a fornecedores, em vários portos europeus.



Os navios 'Athena' e 'Princess Danae' encontram-se no porto de Marselha por ordem judicial das autoridades francesas, mas sem tripulação; o 'Arion' mantém-se num porto em Montenegro, com perto de 30 trabalhadores; e o 'Princess Daphne' está atracado na ilha grega de Creta, com 22 tripulantes, três dos quais portugueses.



Numa carta aberta enviada na quinta-feira ao sindicato do setor, a que a agência Lusa teve acesso, a tripulação do 'Princess Daphne' alertou para a rápida degradação das condições a bordo e afirmou não ter dinheiro sequer para comprar cigarros.



Além do "drama humano" vivido nos navios, o presidente da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores do Mar (Fesmar), Alexandre Delgado, acrescenta que os 42 funcionários que trabalhavam na sede da empresa, na avenida 24 de julho, em Lisboa, receberam a carta de despedimento coletivo em novembro. Os escritórios estão sem água nem luz.



Ao todo, são mais de 550 funcionários da Classic International Cruises que, em terra ou no mar, não recebem ordenado desde outubro. Os proprietários são de nacionalidade grega, mas a empresa tem sede em Portugal e todos os navios têm bandeira nacional.
Noticia publicada  em 15/12/2012 no D.N.

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